A DIVAGAÇÃO
Você passa a sua vida inteira tentando dar o melhor de si (pelo menos uma pessoa normal como minha avó), tirando as melhores notas, trabalhando muito e sendo boa com as outras pessoas e até você encontrar alguém que você sabe que é o alguém. Aquele que vai estar lá, perto de você, aquele que, depois de anos irá olhar nos seus olhos e fará você sorrir, mesmo que você nem saiba o porquê - pelo menos essa era a chamada "vida" nos anos 50; conhecer alguém ter de três a cinco filhos e pronto. Missão cumprida.
Imagine você a surpresa de uma pessoa que sempre teve força, certezas e ideais em uma vida toda e chegar aos 66 anos e não poder planejar uma viagem a longo prazo por justamente não saber se vai estar aqui, conosco, daqui a alguns - poucos - anos. É, não é? Pude ver você se mexer na cadeira e balançar a cabeça, tentando afastar esse pensamento, eu mesma fiz isso o dia inteiro.
A questão é que a minha avó não teve três ou cinco filhos, na verdade, ela teve duas filhas, uma neta (eu) e três netos. Com a mesma incerteza que ela tem hoje em saber se ainda dá tempo para ela ir até a Espanha (o sonho da vida dela) ela pensa sobre um dos netos dela. Onde está? No que pensa? O que sente? Como se sente? Irá voltar?
Essa história do "vai voltar" fica para uma outra hora, onde poderei explicar da onde ele saiu e para onde (e com quem) ele foi - já digo que não é como se ele tivesse ido para o lado das drogas ou começado a traficar em qualquer morro no Rio de Janeiro.
Por hoje queria dizer somente isso, até quando poderemos ficar remoendo e vivendo do passado sem que haja consequencias terríveis, como a morte de uma pessoa querida? Até quando poderemos ficar presos numa redoma, sem ouvir ninguém além daqueles que dizem saber de toda a verdade (a verdade DELES, o OUTRO lado), sem ter um pensamento próprio, uma mente própria?
Nathalia - que não acredita divagar por tantas coisas idiotas e pequenas.
